Os Dançarinos

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Amor Nos Faz Crianças


o balanço no parque vazio
o vento muda de rota
os meninos dormem e crescem
você pensa na sua derrota
e quem antes senhor do destino
vê seu dedo em carne viva
a marca das alianças

a vontade não paga entrada
a razão tem suas razões
o prazer é um prêmio fácil
presas fáceis os corações
mas há algo que lhe diz
que você deve seguir em frente
não, não é a esperança...

o amor nos faz crianças

o silêncio faz sua algazarra
você não foi convidado
mas todos uma hora ou outra
temos que lidar com o passado
envolto em macia seda
o tempo comete os seus crimes
e você paga a fiança

bebendo da solidão cristalina
com a inocência perdida
tudo que entorpece
também queima na ferida
nada igual, tal como antes
caindo da torre infinita
você lança suas duas tranças

o amor nos faz crianças


***
você pode conferir a versão demo dessa música
edição, programações, instrumentos, voz, letra e música:  Gian Fabra

o video é uma homenagem aos filmes:
The Gold Rush (Chaplin, 1925); Frankstein (Whale, 1931); Los Olvidados (Buñuel, 1950); Le Notti di Cabiria (Fellini, 1957); La Dolce Vita (Fellini, 1960); 8 1/2 (Fellini, 1963); Amacord (Fellini, 1973); E La Nave Va (Fellini, 1983); Nuovo Cinema Paradiso (Tornatore, 1988)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Libertas Quæ Seras Tamen



clique no player para ouvir a música

Libertas Quæ Sera Tamen* - Lô Borges/Clube da Esquina nº2

“Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos
e sonhos não envelhecem”

“Clube da Esquina nº2” é uma canção de Lô Borges, cantor e compositor mineiro. Foi lançada no álbum A Via-Láctea em 1979. A letra, escrita por Márcio Borges, irmão de Lô, traça um painel da aventura humana sob uma perspectiva jovem e ideológica. A canção, composta em parceria com Milton Nascimento, foi lançada originalmente em 1972, no clássico disco 'Clube da Esquina', um divisor de águas da música popular brasileira. O álbum, assinado por Milton e Lô, reunia um grupo de jovens músicos talentosos, capitaneados pela dupla, que se encontrava – para cantar, tocar e jogar conversa fora – numa esquina, entre as ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza em Belo Horizonte. Ali, regadas a cervejas e conversas sobre Beatles, Truffaut e política; nasceram belas canções. E porque não dizer, sonhos.

A curiosidade é que a primeira versão desta música não tinha letra. O arranjo original foi criado em torno da gravação do violão de Milton e de suas vocalizes com a melodia. Assim, a canção veio ao mundo como uma música instrumental. Só alguns anos depois a letra seria escrita, após ter sido 'encomendada' pela cantora carioca Nana Caymmi, que a gravaria no seu álbum Contrato de Separação, em 1979. No mesmo ano veio o excelente disco de Lô, A Via-Láctea, que incluía a regravação da canção feita pelo autor (desta vez com a letra). A faixa contava também com a participação de sua irmã, Solange Borges, com quem dividia os vocais. Foi esta a versão que primeiro chegou a mim, e ela veio envolta nas histórias daqueles adolescentes e na bandeira de Minas Gerais. E assim ficou no meu inconsciente. Fundo musical das imagens de Aleijadinho, dos gols de Reinaldo, dos inconfidentes e das cidades históricas, o meu universo mineiro de então.

Anos mais tarde, quando ganhei a estrada, já como músico, viajei pelo país afora e particularmente pelo interior de Minas. Tantas viagens por aquelas pequenas cidades criaram em mim uma relação de afeto com o estado, sua cultura e sua gente. A simplicidade de mãos dadas com a beleza. De maneira que, hoje, quando penso em Minas, além desta canção, logo me vêm à cabeça as imagens de suas paisagens, com todos aqueles intermináveis montes arredondados e todos os seus relevos. Quase posso sentir o cheiro do fogão de lenha. Quase posso ouvir o som do sotaque maroto. É... quase posso sentir o frio também. E, num canto recôndito da minha memória, lembro de uma menina. Uma menina que conheci pelas estradas da vida.

Foi há muito tempo. Durante um show. Não lembro o nome da cidade. Talvez até lembre, mas prefiro deixá-lo no anonimato das minhas recordações. O som corria solto quando a avistei no meio do público. Ela estava sorrindo. Certo, eu sei que é comum as pessoas sorrirem durante um show, afinal, estão ali se divertindo, mas ela sorria de uma forma diferente das outras pessoas, sorria para mim, para o fato de eu estar olhando pra ela. E o seu sorriso brilhava. Feito uma estrela. Sorri de volta. Foi um impulso. Daquele momento até o fim do show não conseguimos tirar os olhos um do outro. Hipnotizados. E nossos olhos sorriam.

Finalmente o último acorde. Fiz um sinal indicando que queria falar com ela, e fui para o camarim. Meu coração gelava cada vez que uma pessoa entrava naquela pequena sala. A espera parecia não ter fim. Até que ela surgiu na porta. E tudo em volta despareceu. Num sobressalto. De perto ela era mais linda ainda. Seus cabelos negros e lisos em contraste com seu vestido vermelho, mas nada disso importava. Eu já tinha viajado por seus olhos verdes adentro. Já conhecia toda a sua beleza. Trocamos saudações triviais. Tímidas. O mundo exterior parecia desconectado com o que eu sentia. Em seguida falei: "sei que pode parecer estranho, mas estou com essa sensação... como se eu te conhecesse desde que o tempo existe". Ela riu. Encabulada. E abaixou a cabeça antes de me olhar no fundo dos olhos e dizer: "eu também".

De lá fomos parar numa praça próxima ao hotel. Sentamos num banco e ficamos conversando por horas a fio. Apenas as estrelas nos ouviam enquanto trilhavam seus caminhos pelo espaço. A todo momento a minha razão exigia que eu a beijasse, mas minha emoção não tinha essa necessidade. Bastava-me estar ali. Perto dela. E falamos sobre nossas vidas. E contei tudo que eu tinha feito até então, as coisas boas e mesmo as coisas erradas. E ela também falou de si, de sua vida, de seus planos e sonhos. E poderíamos ficar ali para sempre. E ficamos. Mas o tempo nos traiu. Os primeiros raios de sol caíram sobre nós. Mais um dia que chegava. Fora da nossa hora. Ficamos em silêncio. Era o momento da despedida. Uma tristeza me invadiu na forma da certeza de que eu nunca mais a veria. Abracei-a bem forte. Um abraço longo e terno. Eterno. Ela disse que aquilo não era uma despedida. Estaríamos um com o outro para o resto de nossas vidas, nas nossas melhores lembranças. Em seguida abriu a bolsa, pegou um pequeno objeto e o colocou na minha mão, me deu um beijo na testa e partiu para o sempre. Eu simplesmente me virei, e fui na direção do hotel. No caminho abri a mão e vi o pequeno objeto que brilhava. Um crucifixo de prata. O sorriso voltou ao meu rosto. Eu não tinha nenhum endereço ou telefone anotado. Não tínhamos dado nem um beijo. Mas eu a tinha para sempre. E fui em frente. Livre.

As lembranças das minhas viagens com as bandas que integrei são meio etéreas. Como se tudo fosse um grande sonho. E é mesmo. Quantas histórias, pessoas e lugares se desmancharam no ar. Feito fumaça. Mas aquela menina continuou. Não sei por onde ela anda, e nem preciso saber. Nunca mais a vi, e nem pretendo. Ainda guardo aquele crucifixo comigo, um pequeno amuleto escurecido pelo tempo. E ainda me lembro dela. Assim como sinto o cheiro do fogão a lenha e viajo pelas estradas do interior de Minas. Porque tudo são lembranças e lembranças são feitas de tempo. Porque todos somos homens e homens são feitos de sonhos.



*'Libertas Quæ Sera Tamen' é uma expressão em latim estampada na bandeira de Minas Gerais que pode ser traduzida como 'liberdade ainda que tardia', lema da inconfidência mineira.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pra Cada Momento

Ando afastado daqui. Aliás, ando afastado de muita coisa.

Nada sério, mas ultimamente as notas musicais tem me requisitado muito mais do que as palavras. E tenho retribuído de bom grado.

Recebi vários emails questionando minha ausência. Agradeço a todos pelo carinho. Sim, sinto falta daqui, sinto falta de escrever e, principalmente, sinto falta de ler os que me lêem. Graças a essa ferramenta conheci muitos blogs legais de pessoas realmente talentosas na dança das palavras.

Daqui a pouco os dedos vão coçar de novo e voltarei a escrever pro Blog, sem pressão. Sem angústia. Enquanto esse dia não chega, quero compartilhar minha nova criação digital, trata-se de um podcast musical. Pra cada momento, uma trilha sonora.
Visite, comente, divulgue e divirta-se
G.F

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Parábola Blues




a letra mais triste que eu já escrevi...


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Parábola Blues

Tento disfarçar o som da minha voz
Não quero que você perceba o quanto eu
Fico triste longe de você
Longe de saber o que aconteceu

Como foi seu dia? Como vai você?
As perguntas frias e as respostas sem porquê
É que eu não sei como esquecer
O caminho do seu coração

E alguém me disse: “deixe o tempo passar,
Não existe dor no mundo que ele não saiba curar”
Só não me disseram o que eu devo fazer
Enquanto espero o tempo passando longe de você

Flores pela casa, a casa agradece
Meu esforço inútil pra que a alegria regresse
Calendários marcam minha dor
Se eu não me engano o tempo me enganou

Por isso eu disfarço e sei como fingir
É que eu não quero que você perceba que eu já percebi
Que a minha tristeza é a sua também
Nem o tempo pode apagar o que ainda vem...

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se quiser ouvir com a música, é a faixa 5 do novo CD
clique aqui


love you, son,
always...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Letra e Música

No final de 2008, tive uma ideia para saciar minha vontade de escrever especialmente para a internet. O projeto consistia em 20 textos que trariam histórias, divagações e memórias afetivas escritas a partir de músicas que marcaram a minha vida (10 delas internacionais e outras 10 nacionais). E o legal é que você poderia ouvir a música em questão enquanto lia a crônica.

Comecei a fazer este trabalho - que intitulei 'Letra e Música' - no site da minha banda, mas, com a reformulação do mesmo, os textos que estavam lá acabaram saindo do ar. Assim, decidi republicá-los aqui.

Novos textos ainda estão por vir. Quero chegar aos vinte da ideia original. Conforme eles forem surgindo eu os publico. Um a cada mês, um a cada ano...  sei lá, não tenho pressa, mas um dia eu chego lá.

Enquanto isso, divirta-se... (clique no título para ler o post)

as temperadas

01 - A Música e Eu (Deep Purple - Child in Time)

02 - Separação (The Beatles - For no One)

03 - Comédia Romântica (Bread - Aubrey)

04 - A Tristeza é Azul (Leonard Cohen - A Thousand Kisses Deep)

05 - Imaginário (Led Zeppelin - Going to California)

06 - Ouro Verde (Neil Young - After the Gold Rush)

07 - Inocência (Smashing Pumpkins - 1979)

08 - A Profecia (Bob Dylan - Like a Rolling Stone)

09 - Natureza Humana (Pink Floyd - Dogs)

10 - Sobre as Mulheres (John Lennon - Woman)


as tropicais

01 - Dominus Illuminatio Mea (Raul Seixas - Gita)

02 - Libertas Quæ Sera Tamen (Lô Borges - Clube da Esquina nº2)

03 -

04 -

05 -

06 -

07 -

08 -

09 -

10 -